Nós devemos acolher com carinho e consideração todas as pessoas que vêm aos nossos cultos. Devemos ser gentis e amáveis para com todos: crentes e incrédulos. Todo ser humano, por ser imagem de Deus, tem valor e dignidade intrínsecos. Entretanto, nós não devemos ser ingênuos a respeito da natureza da participação do incrédulo no culto. Precisamos compreender, à luz da Bíblia, qual é a natureza da participação do incrédulo no culto cristão. Para isso, será útil salientar que existem passagens bíblicas que fazem distinção entre a forma e a essência do culto. Em Isaías 29.13, por exemplo, nós lemos o seguinte: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim” (Isaias 29.1). Deste modo, o Senhor fala de um culto cuja forma estava correta, mas cujo conteúdo era nulo. Além disso, sabemos que Deus rejeita o culto que é apenas formal pelas
seguintes palavras: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? — diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Isaías 1.11 – 15).
Finalmente, eu quero sugerir que a participação do incrédulo no culto é apenas formal. O incrédulo pode estar presente no recinto em que o culto acontece; ele pode participar das leituras e dos cânticos; ele pode participar do gestual litúrgico ficando em pé, assentando-se ou ajoelhando-se como os demais adoradores; ele pode dizer amém no final das orações, todavia ele não cultua de fato. Ele participa da forma, mas não participa da essência do culto. Esta minha sugestão deve-se ao que a Bíblia diz a respeito da condição espiritual do incrédulo. A Bíblia descreve essa condição dizendo que ele está morto nos seus delitos e pecados (Efésios 2.1); que ele é cego para as realidades do evangelho (2 Coríntios 4.4) e que ele é ignorante a respeito das coisas do Espírito de Deus. Tais coisas são loucura para o incrédulo. Ele não pode entendê-las, pois não tem o discernimento do Espírito de Deus (1 Coríntios 2.6 – 16). Jesus disse que "o que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito, é espírito" (João 3.6). O termo “carne”, em João, tem um sentido diferente do sentido que ele normalmente tem em Paulo. Em João, “carne” significa a dimensão natural da vida. Isto significa duas esferas e dois modos de existência. O que Jesus está dizendo para Nicodemos é que aquele que não nasceu de novo não existe na esfera espiritual. Ele somente existe na esfera natural . A esfera espiritual é completamente estranha para o incrédulo. Ele não transita nela. Para usar a linguagem de Paulo, ele é apenas “homem natural”. Ele não é homem espiritual”. É por isso que Jesus afirma que, se alguém não nascer de novo, não pode ver a realidade misteriosa do Reino de Deus (João 3.3).
Então, afirmamos que a participação do incrédulo no culto cristão é apenas formal porque, em essência, o culto é uma atividade que acontece na esfera espiritual que é estranha para o incrédulo. Ele não transita nesta esfera e nem sequer pode entendê-la.